domingo, 20 de fevereiro de 2011

As frustadas carteiras (Texto de 2010)

Agora olha pro cê vê!
Sábado passado, 22 de maio, foi dia de banca do DETRAN aqui na cidade. Platéias...milhares. E torcida familiar pra um, indiferença pra outro, inveja de outro... Normal. O que não é normal é o jeito que esses examinadores se comportam em relação aos candidatos. Gente! Eles chegam a ser bobos ao querer evidenciar o “vacilo” do outro! Teve um que fez o rapaz descer do carro para ver o que tinha feito, e ele só tinha cometido aquele erro, provavelmente, devido ao nervosismo gerado nele pelo próprio examinador que devia estar com raiva de alguma coisa, ou será ele mal educado e mal humorado o tempo todo, ou ainda estava só se mostrando para o colega do banco de trás que com certeza aprovava aquele comportamento deprimente, já que sorria com as palhaçadas do companheiro.
Olha, eu sempre pensei em fazer uma pesquisa a respeito da sensação de poder que cada um experimenta conforme a sua personalidade (não sei se é esta a palavra). O poder quase sem limites de um juiz, o poder outorgado e às vezes mal usado de um policial, o poder, vejam só, de um porteiro, que às vezes nos faz tantas perguntas antes de abrir uma porta que deveria já estar aberta à nossa chegada, que ficamos pensando se não estamos diante de um inquisitor!
Um amigo ponderou diante da minha perplexidade: “Cida, pensa só: o cara sai cedo de casa, num sábado, para vir examinar esse pessoal aqui, eles já devem chegar machos! Vem pensando mesmo é em ferrar com esse pessoal que tá aqui tirando o sossego deles nos finais de semana.”
Aceitei esse argumento. Afinal, num país onde um grupo de policiais espanca um inocente até a morte na frente da mãe...outro atira num inocente e nada acontece...onde a moda entre políticos é receber propina...rico não fica preso...um homem é preso por retirar cascas de uma árvore para fazer remédio para sua mulher, mas nada acontece com um fazendeiro que devasta milhares de hectares da floresta Amazônica para plantar soja. Então porque um pobrezinho de um examinador não teria o direito de acabar com a alegria de jovens que pagam o que não têm para tentar tirar uma carteira e poder trabalhar, já que estes mesmos jovens, nervosos pelo momento e humilhados pelo profissional, estão ali, culpados, julgados e condenados pelo delito de fazer acordar e deixar a família num dia de sábado, um excelente profissional como esses que aqui vieram?
Que isso! Palmas para os examinadores do DETRAN.


“ O que mais me preocupa não é o grito dos violentos,
Nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter,
nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons!”

Martin Luther King

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Futebol ou vale tudo?

Como mãe não posso deixar de comentar esse fato triste que ocorreu no Poliesportivo na quarta-feira passada.
Não dá pra saber o que se passa na cabeça de uma pessoa num momento que deveria ser apenas de discordância num jogo, e esse somente uma forma de disputa amigável onde torcedores vão defender com gritos, vaias e aplausos, o time do bairro onde moram. Tive o desprazer de assistir uma cena triste que mostrou de que pode ser feito cada ser humano quando não consegue segurar a sua ira. Um jogador do time do Bonsucesso agrediu um colega e avançou como um animal selvagem sobre o árbrito, derrubando-o e chutando-o enquanto este permanecia caído no chão.
Foi um momento revelador. Espero sinceramente que a mãe do rapaz agredido não tenha assistido aquela cena deplorável. Como é que pode uma pessoa perder o controle a ponto de agredir outra pessoa que não lhe fez nada a não ser punir por uma falta cometida. Talvez algum torcedor fanático diga: “_ mas não foi falta!”
Então eu digo: “_ Nada no mundo justifica a violência.”
Qual a função do árbrito? Qual a obrigação dos jogadores?
Quero dizer aos pais que nossos filhos estão precisando mais de nós do que nunca. Não sei onde erramos quando os criamos. Tenho certeza que nós mães tentamos acertar sempre. É uma infelicidade ver os jovens nessa condição. A maioria está mal educada e justifica atitudes como essa desse jogador.
Acho que a solução está na união de pais e escolas caminhando juntos para ensinar aos meninos e meninas a disciplina, o respeito aos semelhantes, à natureza, às leis (mesmo que a justiça seja falha) para que eles não se tornem seres brutais. Bons pais não desejam ver os seus filhos envolvidos em disputas cruéis.
Quando uma pessoa agride a outra os dois perdem. O agredido sente às vezes a dor física e a humilhação (e se os dois forem do mesmo naipe, a coisa pode terminar em tragédia). Mas o agressor é que perde mais. Ele perde a credibilidade, o respeito dos amigos se torna algo que se aproxima do medo, o companheiro percebe que ainda não o conhecia e as pessoas que tiveram a infelicidade de assistir a agressão saem fazendo seus comentários contra ou a favor, mas, ao amadurecerem a idéia, condenarão o agressor.